A Moda Antiga
- TiagoJunqueira

- há 4 dias
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Uma mulher apaixonada pela vida, leve, desprendida e livre… voou alto, sem medo de errar. Apenas viveu os momentos da sua história como se fossem os últimos. As lembranças pulsam em seu peito e ela não se arrepende de nada. Viveu nas melhores rodas sociais, teve paixões avassaladoras e hoje, com uma taça de vinho na mão, recorda-se, com brilho nos olhos, daquela última dança, à moda antiga.
Ela é muito bem casada. Ainda assim, aquela última dança permanece guardada em algum lugar silencioso do seu peito, como uma canção que ninguém mais ouviu. Fecha os olhos, que parecem querer chover, e, entre um gole e outro de vinho, ouve ele sussurrar em seu ouvido:
Chegue mais perto… sim, mais perto, se você puder. Esqueça dos outros. Tenho a sensação de que vamos descobrir coisas que nunca vimos antes, se apenas fecharmos os olhos e dançarmos pelo salão.
Ela fica em transe por alguns instantes. Levanta-se, vai até a vitrola que foi de seu pai, pega um LP de Charles Aznavour, coloca sua canção preferida, enche novamente a taça e corre para o jardim.
A lua está linda, enorme, iluminando aquela noite de lembranças. As caixas de som reverberam “The Old Fashioned Way”. Ela fecha os olhos e começa a dançar, à moda antiga, com saudade daquela paixão.
As memórias continuam pulsando em seu peito enquanto dança sozinha, tendo a lua como cúmplice de um amor puro que já passou.
Ela se recompõe, desliga a vitrola, toma o último gole de vinho e enxuga as lágrimas.
No jardim, a música ainda parece ecoar em silêncio.
Então ela entra em casa e vai se deitar.



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