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A porta e os olhos cor de mel

  • Foto do escritor: TiagoJunqueira
    TiagoJunqueira
  • há 4 dias
  • 1 min de leitura

A solidão tem apavorado aquela mulher de olhos tímidos. Em uma rua sem fim, caminha a passos lentos, em busca de um afago para a sua alma. As portas estão fechadas, as luzes apagadas e há um silêncio no seu olhar.

Ela anseia colorir os seus dias. Chuva lenta, passos ainda mais lentos… as portas continuam fechadas.

Noite de réveillon. Ela faz a simpatia do momento: come doze uvas “pretas” debaixo da mesa, e um dos pedidos era encontrar um amor, entre outros anseios do seu coração.

Fogos de artifício, roupas vermelhas e um forte desejo de ver aquela porta aberta…

Três dias se passam. Ela continua caminhando por aquela rua sem fim. Agora os passos são mais rápidos. Ao longe, ela ouve “Nada Mais”, na voz de Gal Costa. Ela para imediatamente e fica em transe, olhando para aquela porta ao som daquela melodia tão sentimental.

Ela respira e continua.

Na vitrine de uma loja, uma escultura de Afrodite. Na fachada, um letreiro, daqueles antigos, com a frase “You don't know”.

Ela sorri e segue, chupando uvas “verdes”.

Buzinas, luzes piscando, uma lua cheia e olhos cor de mel em sua direção.

Ela suspira e corre ao encontro de caracóis cintilantes. Naquele momento, ela não queria ouvir falar do tempo. Apenas dançar aquela música que tanto desejou.

Por alguns dias, ela viveu aquele sonho, sonho de Quimera.

Um apagão faz soluçar os sonhos.

O soluço das almas…

E a porta continua fechada.

 
 
 

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