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A Vizinha Alcoviteira

  • Foto do escritor: TiagoJunqueira
    TiagoJunqueira
  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

Marilda, uma mulher viúva, de aparência simpática, roliça e caolha de um olho, mudou-se para a Rua dos Lírios, na pacata cidade de Albertina, em Minas Gerais. Antes vivia sem problemas com seus filhos em outro bairro da mesma cidade.

Tudo parecia estar bem. Havia um vizinho que sempre conversava com ela quando voltava da feira ou quando varria a calçada, entre um bom-dia e um boa-tarde.



Do outro lado da rua, sua vizinha passou a prestar atenção na situação e observava tudo com maldade. Joana, uma mulher de 55 anos, desquitada, morena e de olhos bem grandes, passava todas as tardes na janela de sua casa, prestando atenção em cada passo dos vizinhos. Passava horas cultivando seus pés de gerânios vermelhos, que ficavam em um canteiro na janela.

Passaram-se algumas semanas, e a simpática mulher roliça e caolha continuava conversando com seu vizinho, até que a alcoviteira Joana resolveu levar um pedaço de bolo de fubá para Vanusa, esposa do vizinho simpático de Marilda.

Conversa vai, conversa vem, até que Joana soltou seu veneno:

"Não é por falar não, mas você viu seu marido? Passa o dia todo de papo com a nova vizinha. Abra seu olho, amiga. Logo você perde seu homem."

Vanusa, que era uma mulher esquentada, de poucos amigos e barraqueira, logo disparou:

"Eu acabo com a vida dessa rapariga caolha. Ela que se meta com meu marido. Não sabe com quem está lidando."

Joana, feliz por semear a desordem, despediu-se de Vanusa e foi para seu local predileto vigiar a vida dos vizinhos. Todas as pessoas que passavam por ali paravam para falar com ela, e logo começou o falatório.

A cidade inteira estava comentando que a gorda caolha estava tendo um caso com o marido de Vanusão, como Vanusa era conhecida na cidade.

Começou então o inferno na vida do vizinho simpático e da pobre Marilda. Todos os dias Vanusa brigava com a caolha na rua e, assim que chegava em casa, batia no marido com um cabo de vassoura. Aquilo foi se repetindo diariamente.

Até que Raul não aguentava mais aquela situação: ser apontado na rua e apanhar da mulher todos os dias. Pegou um pedaço de corda e foi para a varanda de sua casa, que dava de frente para a rua. Amarrou a corda na vigota da varanda, subiu no banquinho onde costumava passar as tardes sentado, colocou a corda no pescoço e derrubou o banco.

Ficou ali a tarde inteira, com o corpo balançando, pendurado na corda, até que Vanusa chegou em casa. Assim que abriu o portão, deparou-se com o marido enforcado na varanda.

Entrou em desespero naquele momento. Joana, do outro lado da rua, assistia a tudo com satisfação.

Marilda, quando soube do que havia acontecido, trancou-se em casa e nunca mais saiu, enquanto Vanusa ficava do lado de fora gritando que a gorda caolha havia matado seu marido.

A polícia chegou e levou o corpo para o único velório da pacata cidade. Todos comentavam o acontecido.

Vanusa, descontrolada, chorava durante todo o velório e gritava:

"Eu te amo! Por que você fez isso comigo? Me leva com você! Me leva!"

Essas falas se repetiram até o momento do cortejo. Vanusa insistia que queria ser enterrada junto com o marido.

Depois voltou para casa. Não se perdoava pela tortura que fizera com o marido e, tomada por um profundo ódio da vizinha Joana, planejou sua vingança.

Preparou um delicioso manjar e levou para a vizinha alcoviteira. Joana se acabou comendo aquela delícia dos deuses. Até que, na última colherada, caiu roxa no chão.

 
 
 

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