A Ciranda dos Cisnes
- TiagoJunqueira

- 24 de fev.
- 2 min de leitura

Uma mãe amorosa, uma menina inquieta e apaixonada pelos cisnes. Um lago perdido em meio às fantasias da doce ciranda de Emily.
Era começo de primavera. A pequena Emily e sua mãe, Dora, caminhavam sorridentes pelo parque em busca de alegria e afeto. Esse ritual era sagrado: em todas as estações, elas estavam lá.
Até que, um dia, uma senhora abordou Dora, perguntando o motivo de estarem ali todos os dias. A mulher apenas sorriu e seguiu em frente.
Naquele momento, Emily estava à beira do lago, brincando com os cisnes. Sua mãe continuou andando em direção ao lago, porém sem notar a presença da filha. Desesperada, começou a gritar, à procura da doce menina. Emily, por sua vez, apenas cantarolava e saltava em direção às aves.
A senhora, sem entender o que estava acontecendo, começou a chamar pela menina, mas Emily só tinha olhos para os cisnes.
Uma forte tempestade começou. A chuva encharcava Dora, e ela correu em direção ao portão. A senhora, naquele momento, apenas observava debaixo de uma figueira centenária, com um guarda-chuva azul nas mãos, enquanto a pobre criança ficava só.
A chuva cessou e o parque voltou a irradiar alegria. Porém, Dora não estava lá no dia seguinte. A senhora voltou ao parque e esperou pela linda mulher, mas ela não retornou. Assim se passaram cinco dias, e a senhora repetia o mesmo ritual.
No sexto dia, Dora apareceu com profunda tristeza no olhar. A senhora perguntou novamente o que ela fazia ali. Naquele momento, os cisnes dançavam em círculo no lago.
Dora fitou os olhos da jovem senhora e disse que ali era onde matava a saudade de Emily. Contou que a menina amava os cisnes e cantava para eles. Revelou que foi ali que ela desapareceu há cinco anos e que, como um mantra, esperava pela volta da filha todos os dias. Disse ainda que a única imagem que carregava era a da sua doce menina boiando, com os cisnes dançando em volta dela.
A jovem senhora olhou fundo nos olhos de Dora, acariciou-lhe o rosto e lhe entregou o guarda-chuva azul cintilante, que fez clarear o parque de tal forma que tudo virou luz. Em seguida, a senhora desapareceu.



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