Maria Alegria
- TiagoJunqueira

- há 1 dia
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Ouço gargalhadas reverberando pelo espaço. Todos estão tristes pela perda, mas o riso vindo daquela mulher cheia de fibra e determinação fixa-se na mente daqueles que estiveram sempre ao seu lado. Os ecos nos fazem acreditar no amor; é estranho ouvir essas notas agudas, olhar para o horizonte e perceber que ela não está lá, apenas sua imagem aparece nas memórias.
A cada lágrima vinda dos rostos daquela família, germinam a saudade e a esperança de um dia embarcar na mesma viagem rumo à felicidade eterna. Enquanto as lágrimas caem, o amor alastra-se mais e mais.
O seu nome era Maria. Maria Alegria! Uma mulher guerreira que nunca se entregou; mesmo na dor, contagiava a todos com suas histórias debochadas e suas gargalhadas, que vibravam como melodias doces e conduziam todos a uma dança alegre.
As gargalhadas continuam reverberando pelo espaço, e todos correm ao encontro desse som, mas ela não está lá. Novamente, apenas a esperança paira sobre aqueles olhos tristes.
A busca nunca termina, e ela continua gargalhando, ando, ando... Enquanto as faces se derretem em lágrimas, o amor volta a germinar e cresce de tal forma que a espera pela Maria Alegria torna-se cada vez maior; os peitos sufocam e as almas sangram ao som daquelas gargalhadas. Maria Alegria paira novamente em um fio que conduz o antes, o agora e o depois. Todos os olhares se petrificam, fixando aquela imagem no horizonte aos ecos de Maria Alegria, que, com gargalhadas, despede-se da vida e brinda o amor.
(Texto escrito em 2012)



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