top of page

Eco das Luzes Amarelas Esquecidas

  • Foto do escritor: TiagoJunqueira
    TiagoJunqueira
  • 15 de abr.
  • 1 min de leitura

As luzes da cidade não aquecem mais. São frias, brancas, como lâminas de gelo cortando a noite. Ele caminha pela rua, os passos ecoando no asfalto impiedoso. Flechas de luz perfuram seu olhar, e por entre elas, lembranças irrompem, pulsos quentes no peito.

Uma estrela cadente risca o céu da memória. Paris. A cidade-luz onde o amor o abraça e a felicidade é eterna. Ir até lá é como o céu se acendendo na mente: o mais lindo do mundo, ele sempre diz. Continua andando, novos flashes dançando nas pupilas: monumentos imponentes, jardins floridos exalando perfume de promessas.

De repente, num piscar de olhos, ele está na Fontana di Trevi. As luzes da cidade, em seu imaginário, voltam ao amarelo acolhedor. Joga uma moeda na fonte dos sonhos, aquela que tanto ansiou conhecer. As ruas de pedra o recebem, irregulares e vivas. Mas o tropeço vem: um calo na alma, e ele cai. O chão é um mar de desilusão, ondas de cinza engolindo o encanto.

As luzes revertem ao branco gélido. Tudo acelera: informações vorazes, carros rugindo em buzinas furiosas, cachorros latindo nos quintais esquecidos. A cidade devora o tempo. E, em cada janela, um fio tênue de esperança: luzes amarelas, sussurrando que o calor ainda pulsa, em algum lugar além do caos.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page