Adeus em dó maior
- TiagoJunqueira

- 9 de abr.
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Era quarta-feira. O dia amanheceu nublado. A vela que estava acesa para Nossa Senhora Aparecida se apagou com o vento, logo em seguida, ele recebeu a notícia que fez seus olhos choverem. Ele saiu em direção ao nada.
As ruas eram de pedra. Os passos, lentos. Sentia cada irregularidade daquele chão cinza. Pairava um silêncio espesso no ar. As folhas ecoavam um grito de tristeza. No topo de uma palmeira imperial, araras grasnavam.
Ele seguia caminhando como se o relógio tivesse parado, como se só ele estivesse em movimento. Passos ainda mais lentos. Trovões anunciavam chuva. Um misto de tristeza, desespero e angústia o envolvia. Ao longe, ouvia-se Prelúdio e Fuga em Dó Maior, de Sebastian Bach. Todos pararam no destino.
O momento da despedida. Muitas palmas. E ele, admirando um arco-íris que abrilhantava aquele instante, como se trouxesse algum alívio à alma. Um olhar profundo para o horizonte. A chuva começou a cair lentamente. Um filme passava em sua mente e um grito silencioso o atravessava. Tudo acabou.
Passos rápidos. Buzinas. Mais trovões. A chuva engrossou. As araras voaram em direção ao arco-íris que se apagava no infinito e ele correu em direção ao nada.
Um adeus. A folia chegara ao fim.
Restaram apenas as lembranças dos carnavais fora de época.



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