O Último Arrastão
- TiagoJunqueira

- 22 de jun.
- 2 min de leitura

Ontem à noite, quando olhei para o céu, notei a presença de uma estrela diferente. Era uma estrela que nunca tinha visto outra igual. Ela era toda saltitante, ficava brincando com as outras estrelas e cantarolando; até podia ouvir, bem de longe, "Arrastão", de Elis Regina. Sem contar que ela tinha um brilho único: era a estrela mais cintilante do céu. E alguns contam que essa estrela era apaixonada pela vida, que já tinha vivido histórias que nem uma mulher de cem anos havia vivido, e sempre histórias tristes, mas ela nunca foi cadente, sempre segurou firme e lutou até o último suspiro. Tinha um ar de menina sapeca, daquelas de enfiar a cara no bolo de aniversário da amiguinha e sair correndo. E o coração de uma mulher vivida... Quantas lembranças boas e ruins, quantos momentos vividos com amor e quantos personagens que essa menina já viveu, seja na vida ou no palco, que era o local onde se sentia melhor. Seu sonho era viver uma personagem rodrigueana; mal sabia ela que várias Sônias, Alaídes, Virgínias, Donas Flávias, Madames Clessi, Silenes e tantas outras viviam no seu íntimo, e sua vida nada mais era que uma tragédia rodrigueana. Ficou até conhecida como a mulher da mala, daquelas histórias que achamos que só existem em jornais sensacionalistas ou em textos teatrais contemporâneos. E, quando vivemos uma história dessas, dói muito, pois a realidade cala e sangra. Sangra pela vida que essa menina buscava. Estava prestes a realizar sonhos de toda uma vida e uma forte tempestade veio e afogou esses sonhos. Mas tenho certeza de que não acabou. Não é à toa que ela está se destacando entre as outras estrelas; ela tem muitas outras histórias para contar. Seu lema era a alegria, alegrar a vida de todos à sua volta, e, mesmo lá de cima, suas lembranças irão tomar conta do nosso ser e nos trazer alegria. Como sempre trouxe. Brilha "Pimentinha".



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