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Um Rasgo no Infinito

  • Foto do escritor: TiagoJunqueira
    TiagoJunqueira
  • 11 de jun.
  • 1 min de leitura

Depois de muito tempo, ela voltou a chorar...

Era fim de outono. Ao longe, uma casa. A madrugada escorria fria, e os olhos se abriram de súbito: eram três da madrugada. A mão gelada. As lembranças atravessando seus pensamentos. O silêncio era cruel. As horas passavam, e os pensamentos se tornavam cada vez mais velozes.

Ela ouve um choro ao longe. Uma rua sem fim. E aquela cidade já não guardava quase nada da mulher que um dia ela foi. Um vento forte atravessa a noite. Já passa das três da madrugada. Tudo se cala novamente naquela cidade suspensa no escuro.

Quase nada resta. Ela se senta no banco daquela praça onde, outrora, viveu tantos momentos de felicidade. Um canto triste volta a soar ao longe. Ela ergue os olhos para o infinito. Firma o olhar no topo de um ipê seco e vê dois pontos de luz acesos, como um rasgo na noite. Um grito. Um choro. Um lamento sem repouso. É um urutau. A lua está cheia. E tudo em volta parece seco demais.

Ela sai a vagar ao som daquele canto melancólico. Lembra-se de “Três da Madrugada”, na voz de Gal Costa, e começa a correr por aquela rua que parecia não ter fim.

Suas lágrimas ardem na mesma intensidade do canto daquele pássaro. E ela corre ao encontro da escuridão. Então um grito ainda mais alto corta a noite. Ela para, olha para trás e sorri.

 
 
 

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