Um domingo no parque
- TiagoJunqueira

- 7 de abr.
- 2 min de leitura

O coração daquele rapaz franzino, de aparência doce, bochechas rosadas e cabelos castanhos como o pôr do sol, parecia querer transbordar de nostalgia. Na busca de viver um passado que nunca viveu, ele apenas sonhava com balões coloridos... mas a realidade era apenas uma saudade fria e cinzenta.
Em um entardecer de domingo, ele caminhava pelas ruas de sua pequena cidade em busca de algo no infinito. Olhava para o horizonte, continuava caminhando e, de repente: um parque! Muitas crianças correndo... Ele avista um carrinho de pipoca, com aqueles senhores simpáticos, de boina na cabeça e camisa xadrez de manga curta. Vai até o senhor sorridente, pede o maior saquinho de pipoca e muito molho; ele é apaixonado por aqueles molhos picantes que só se encontram nas praças ou parques... Ele se esbalda de tanto comer aquela maravilha que tem cheiro e sabor de infância. Olha para aquele senhor de aparência tão fofa, agradece e volta a caminhar.
Olhando para aquelas luzes no infinito, o coração aperta e seus olhos parecem estar em tempestade, querendo chover... Ele resiste, caminha e se entrega ao dilúvio. Olhando para o céu, pede calmaria. Senta-se em um banco e começa a admirar a roda-gigante, com neblina nos olhos, pensando na vida... Questiona-se como tudo é engraçado: quantas vezes sonhou estar onde chegou, quantas vezes almejou pertencer a determinadas rodas sociais, conquistar a aprovação daquelas pessoas de “bem”...
Por um segundo, ele se dá conta de que tudo aquilo já não lhe serve mais. Pensa como realmente a vida é uma roda-gigante: cheia de surpresas; muitos sonhos passam, se perdem no horizonte e viram pó. Os desejos e as vontades são mutáveis e tornam-se surreais como aquelas pinturas de Dalí... Continua comendo pipoca, chorando, olhando para o horizonte e pensando nos balões coloridos. Um pombo vem até seus pés; ele joga o resto da pipoca para a ave e segue.
As crianças continuam correndo, as luzes começam a piscar, o trem fantasma assusta os transeuntes, e ele permanece inerte no passado que nunca viveu, na busca de um presente leve e verdadeiro. Uma cigana acena ao longe; ele olha para aquela mulher cheia de medalhas e roupas coloridas como os balões de seus sonhos. Para, pensa em ir até ela... e sai correndo pela avenida. Corre alguns quarteirões e avista sua casa de janelas e portas azuis. Corre ainda mais rápido. O portão está aberto. Entra, apaga as luzes da sala e liga sua vitrola. Ao longe, ouve-se:
“Não creio em mais nada
Já me perdi na estrada
Já não procuro carinho
Me acostumei na caminhada sozinho
A vida toda só pisei em espinho
Já descobri que o meu destino é sofrer”
Sentado na poltrona que foi do seu pai, acaba adormecendo.
Amanhece.
Ele acorda, toma seu café da manhã. Os pássaros estão cantando no jardim, o sol brilhante como seus cabelos. Olha para o horizonte e segue aos seus afazeres diários.
Tudo foi uma quimera?
Sua vida segue, no desejo de um dia não pensar em mais nada e montar em um cavalo negro que o leve para campos floridos, cheios de balões coloridos e nuvens de algodão‑doce...



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